Com uma experiência de mais de duas décadas no estudo e tratamento da infertilidade, o CETI – Centro de Estudo e Tratamento da Infertilidade, aposta numa abordagem personalizada à Medicina da Reprodução. Em entrevista, João Luís Silva Carvalho e Ana Gomes, respetivamente Diretor Clínico e Embriologista do CETI, frisam que este centro pretende prosseguir na senda da investigação e manter o esforço na inovação e desenvolvimento como características diferenciadoras.

 

A experiência de mais de 20 anos que o CETI tem no estudo e tratamento da infertilidade é uma vantagem competitiva para o vosso centro?

 

Sim, na medida em que, na nossa equipa, conjugamos a experiência de profissionais pioneiros nesta especialidade, sempre com envolvimento em cargos de destaque científico a nível nacional e internacional.

 

Simultaneamente, fomos congregando uma evolução que incorporou elementos mais jovens, altamente qualificados, que conferem novas competências já certificadas a nível internacional e que também acrescentam muito valor, como por exemplo, com aptidões para vertentes mais tecnológicas e da área digital.

 

Que lugar tem a investigação num centro como o vosso?

 

O principal objetivo do CETI é tratar, com o maior êxito possível, todos os que nos procuram.

 

Com este intuito, para além da nossa equipa participar regularmente em congressos nacionais e internacionais e de procurar a constante atualização de conhecimentos, existe um permanente esforço na área da investigação.

 

Acresce ainda termos realizado um elevado investimento em equipamentos com tecnologia inovadora que tem demonstrado muito bons resultados. Mas, acreditamos que a chave para o sucesso das técnicas de procriação medicamente assistida (PMA) também se alicerça em outras áreas de desenvolvimento.

 

Partindo deste princípio, e sempre com o objetivo final de melhorar as taxas de êxito/resultados dos tratamentos, o CETI desenvolveu diferentes áreas de investigação focadas tanto no gâmeta feminino como no gâmeta masculino.

 

É por isso que muito nos esforçamos nas parcerias que o CETI tem vindo a estabelecer ao longo dos anos com outras instituições, nomeadamente a colaboração existente com o departamento de Biomedicina da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que é exemplo desse esforço de contínuo desenvolvimento e investigação.

 

A medicina personalizada é outra firme aposta vossa? Porque é que uma abordagem tailor-made é determinante, no que toca à medicina da reprodução?

 

A Medicina da Reprodução é uma subespecialidade, ou diferenciação especializada, da Ginecologia/Obstetrícia e como tal oficializada pela Ordem dos Médicos. Essa subespecialidade é essencialmente dirigida para uma doença que tem causas e fatores de influência de várias áreas como a Endocrinologia, Infeciologia, Genética, Andrologia, Ginecologia, Cirurgia, entre outras.

 

Assim, é necessária uma vasta aquisição de conhecimentos de diversas áreas, para depois os integrar e ajustar à especificidade de cada situação clínica. Num primeiro tempo, muito importante, para um diagnóstico correto, sem ultrapassar etapas nem cometer abusos.

 

Posteriormente, tratar cada caso específico de forma adequada, tailor-made, isto é,  recorrendo às indicações apropriadas das vertentes médico-medicamentosa, de cirurgia endoscópica minimamente invasiva ou de PMA.

 

Além das dificuldades colocadas pela atual conjuntura de pandemia, que outros desafios de relevo se perfilam na área da Medicina da Reprodução, em Portugal?

 

A população portuguesa apresenta, há já vários anos, um crescimento com saldo natural negativo e mantém um processo de envelhecimento demográfico que, segundo as previsões, tem tendência para se acentuar.

 

A nível mundial, estima-se que a infertilidade afete cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva e, em Portugal, um estudo por nós realizado e designado por AFRODITE (2009), relata uma incidência da doença de 9 a 10%. Com estes dados, podemos concluir que a infertilidade contribui para o perigo demográfico.

 

Aumentar o número de tratamentos de PMA e tratar mais casos de infertilidade deve, portanto, ser uma prioridade. A pandemia que vivemos atualmente afetou o sistema público com o cancelamento de consultas e tratamentos, pelo que se torna cada vez mais relevante o estabelecimento de parcerias com o sector privado, de forma a dar resposta a casais que faziam parte das já demasiado longas listas de espera e que viram agora o seu problema agravado.

 

Que objetivos traça o CETI para o novo ano que agora começa?

 

Os nossos objetivos são os de sempre: tratar melhor e de forma individualizada os nossos pacientes. Para tal, pretendemos prosseguir com as nossas linhas de investigação e manter o esforço na inovação e desenvolvimento como características diferenciadoras.