9% dos casais portugueses são inférteis, é o título da notícia do Jornal Expresso que fala sobre o primeiro estudo epidemiológico sobre infertilidade em Portugal “Afrodite – Caracterização da Infertilidade em Portugal” realizado pelo Prof. Dr. João Silva Carvalho, Director Clínico do CETI.

 

João Luís Silva Carvalho, professor da Faculdade de Medicina do Porto (FMUP) e autor do estudo AFRODITE, atribui maioritariamente o aumento da infertilidade nas mulheres portugueses ao adiamento da maternidade “por razões” económicas.

 

O estudo apresentado hoje, na Ordem dos Médicos, no Porto, revela ainda que um terço das mulheres desconhece os motivos porque não engravida, atribuindo o problema a questões hormonais (48%) ou a alterações de ovulação (41%), muitas vezes um falso problema.

 

Segundo o autor da investigação, embora os portugueses reconheçam que a infertilidade é uma doença que a medicina pode ajudar a superar (71%), menos de metade das mulheres com este problema recorreram a uma consulta médica para o solucionar.

 

Entre os casais que comprovadamente sofrem de infertilidade, 61% admitem, contudo, já ter recorrido a ajuda clínica, sendo a procura de serviços públicos e privados equivalentes.

 

Maioria é favorável a doação de esperma e óvulos

 

Apesar de 84% dos inquiridos afirmarem saber o que é a infertilidade, quando interrogados sobre questões específicas (o que é um espermatozóide ou um óvulo?) o nível de conhecimento é diminuto.

 

Curioso é o facto de boa parte das pessoas ainda associarem os problemas de fertilidade a situações não relacionadas com a doença, como à vontade de Deus (39%) ou ao destino (31%).

 

52% dos entrevistados entendem ainda que o uso prolongado dos contraceptivos orais provoca infertilidade e 9% acredita até que o problema pode resultar do uso frequente do preservativo. “Há muita falta de informação, daí ser útil que, a par da educação sexual nas escolas, os alunos fossem também alertados para a questão da infertilidade”, refere Silva Carvalho.

 

Agradavelmente surpreendido ficou o coordenador da investigação com a abertura dos portugueses em relação à doação de espermatozóides (68%) e óvulos (63%), “mas não com a destruição de embriões sobranteas de tratamentos”.

 

A esmagadora maioria dos portugueses defende, por último, que o Sistema nacional de Saúde devia pagar (51%) ou comparticipar (43%) os tratamentos da gravidez clinicamente assistida.

 

A amostra do estudo AFRODITE foi constituída por mulheres 1638 e 601 homens, com idades compreendidas entre os 20 e os 69 anos, de todas as regiões do país.